Fernando Torquatto lança livro dos seus 25 anos de carreira

06/05/2019 | Monique Abrantes

Em comemoração aos seus 25 anos de carreira como cabeleireiro e maquiador, Fernando Torquatto lança Torquatto, com depoimentos e imagens

O interesse pelo universo da beleza foi algo orgânico na vida de Fernando Torquatto. Desde cedo, o menino via a mãe, sempre vaidosa e bem vestida, arrumando o cabelo com penteados no salão, sem contar a influência do pai pela fotografia, hobby que traz da infância.

Após trabalhar milhares de belezas em editoriais e desfiles e fazer incontáveis penteados e make para famosas e anônimas nacionais e internacionais, ele lança Torquatto, uma coletânea dos momentos mais marcantes dos seus 25 anos de carreira com imagens e depoimentos pessoais.

Confira a entrevista exclusiva para a Cabelos&cia e depois corra para o nosso Instagram, pois estamos sorteando uma edição especialmente fotografa por ele!

Conte um pouquinho da sua trajetória: desde quando você começou a se interessar por beleza, quais foram os seus primeiros passos, seus primeiros trabalhos.

Me interessei por beleza organicamente, sempre gostei de desenhar desde garoto. Minha mãe comprava muita revista de moda e assistia vários filmes no cinema. Ela sempre foi muito vaidosa também: ia sempre a salão, arrumava o cabelo, adorava cores e penteados e gostava muito de se vestir bem. Por eu amá-la, essa foi minha principal referência e eu fui absorvendo tudo isso de forma orgânica.

Livro Torquatto será lançado no dia 09 de maio no Shopping JK Iguatemi em São Paulo (SP)

Na faculdade, não sabia o que fazer exatamente. Gostava de tudo o que era ligado à arte e também comunicação visual, porque tinha fotografia, que era um hobby que meu pai tinha e me incentivada desde de garoto, me dando câmera e tudo mais. Acabei combinando as duas linguagens e virou meu trabalho. É o que faço hoje e que está registrado nesse livro.  

Quem foram e quem são seus grandes mestres inspiradores?

Tive várias pessoas que me inspiraram, além das das atrizes do cinema dos anos 30. Mas a princípio aqui no Brasil, Duda Molinos sempre foi um gênio, tudo dele é lindo! Mauro Freire, que é bem atuante na moda com vários desfiles incríveis. Fora do Brasil, tem o maquiador francês Stéphane Marais, que já fez muita coisa para a Chanel. Outro cara que sempre adorei é François Nars. Logo quando comecei a trabalhar, admirei e admiro até hoje tudo o que eles fizeram.

Você pode compartilhar conosco alguns momentos inesquecíveis da sua trajetória?

Acho que tiveram vários momentos incríveis em que eu mesmo fui pontuando a minha trajetória. Desde o primeiro desfile pequeno que fiz, me lembro da emoção ao conseguir olhar do backstage o resultado e como as pessoas observavam as modelos, até um grande desfile como Fashion Rio.

Participar de revistas, como a Vogue, por exemplo, que sempre quis fazer, e trabalhar com Luiza e Yasmim Brunet, garota ainda, foi um dos momentos incríveis. Depois, na TV, trabalhar com gente tão incrível, como a Fernanda Montenegro, Suzana Vieira e todas essas mulheres que eu assistia quando garoto em casa, foi uma emoção muito grande.

Na moda, trabalhar com a Linda Evangelista, que era a modelo que mais amava e amo até hoje, e a Kate Moss, me colocou em um outro lugar.

Quais foram as transformações mais marcantes na beleza que você presenciou nos 25 anos de carreira?

Acho que a beleza em 25 anos ficou acessível. Antes era distante, lá na passarela ou na televisão. Hoje, na internet, você vê muita gente que faz um trabalho bacana e não é maquiador como tem muito curioso que não faz um bom trabalho. Tem as coisas boas e ruins, mas no geral, acho que é bom, pois quanto mais gente se expressa e gosta de maquiagem, o mercado cresce e a gente terá mais espaço para quem realmente sabe e entende do assunto.

Basicamente é isso, a popularização da maquiagem e essa acessibilidade. As mulheres também não estão presas a um padrão de beleza, hoje tem mais referências, elas estão mais livres para se acharem bonitas do jeito que são.

Qual conselho o Fernando Torquatto de hoje, com 25 anos de carreira, daria para o Torquatto aprendiz há 25 anos?

O conselho que eu daria seria não parar de estudar nunca, pesquisar e desenvolver uma linguagem própria de trabalho. A criatividade não nasce somente dentro da gente. Todas as informações que coletamos ao longo da vida e que ficam na memória, as pesquisas de produtos e do que acontece no mundo ése torna uma somatória e se torna algo original.  

E qual conselho você daria para quem está começando na profissão de cabeleireiro/maquiador hoje?

A postura. Por muitos anos, o maquiador ou cabelereiro foram considerados pessoas tempestuosas e isso já saiu de moda totalmente. Acredito que o bom profissional tem que ser acessível, agradável e saber que está prestando um serviço. E, obviamente, o sucesso virá naturalmente. Não tem necessidade de se achar mais importante do que outras outras pessoas.

O livro está à venda no site da Luste Editores.