a
Compartilhar

Água: desperdiçar, jamais!

A crise hídrica que se espalhou pelo País nos últimos meses obrigou todos a reverem seus hábitos de consumo e a encararem uma triste realidade: a água é um recurso finito. E cada vez mais escasso. Veja como preservar esse bem e garantir a vida – a do planeta, a sua e/ou a do seu salão

Se no Nordeste a população já está acostumada com a falta de água, nas outras regiões, especialmente o Sudeste, a “novidade” vem sendo engolida a seco. “A escassez do precioso líquido, por força da natureza, existe há bastante tempo no território nordestino, o que fez seus habitantes aprenderem a economizar. Nas cidades em que o problema é recente, as pessoas precisam se conscientizar e mudar seus hábitos rapidamente, diminuindo o desperdício e adotando medidas como o reuso. Tudo para garantir a sustentabilidade dos negócios e, claro, do meio ambiente”, comenta a empresária Fabiana Gondim, de Natal, que desenvolveu há alguns anos o Hairsize, uma ferramenta que auxilia a economizar na quantidade de produto e de água utilizada. “Quando sabemos exatamente quanto usar em cada serviço, diminuímos 30% a 70% de desperdícios. Isso implica uma redução significativa do recurso para enxágue e no tempo gasto com ele”, explica.

Aprendendo com as adversidades

O salão Bardot, em São Paulo, foi um dos que precisaram mudar sua rotina após o início da crise hídrica – apesar de ter sistemas separados. “Temos caixas para os lavatórios, outra para os banheiros e pia e outra para a copa, o que possibilita uma reserva para até cinco dias de trabalho. Mas desde setembro do ano passado banimos o relaxamento por exigir muita água para o enxágue, bem como o uso de bacia nos serviços de unhas. No início houve resistência da equipe e da clientela, mas explicamos que a questão era empregar o recurso para enxaguar produtos de coloração, mechas e hidratação. Incentivamos, ainda, as clientes agendadas para corte a chegarem com o cabelo lavado. E na hora de limpar a fachada do salão, usamos um balde”, conta Marcos Furquim, um dos sócios do espaço.

Além de estarem atentos a possíveis vazamentos e evitarem desperdícios, em breve os empresários do Bardot contarão com um sistema de reutilização da chuva para vasos sanitários e jardim. “Se der certo, instalaremos uma unidade de tratamento para que a água captada seja usada com segurança nos lavatórios. O custo é alto, mas ainda assim é mais baixo do que ficar com o salão fechado por falta de abastecimento”, revela ele.

Para não ter de fechar as portas no auge da crise, Cristina Minetto, do salão de mesmo nome em Jaú, no interior paulista, precisou recorrer à água mineral, mesmo contando com reservatório. “Imagine seca em pleno sábado, com o espaço lotado! Ao longo de semanas, compramos galões para poder realizar os serviços. Fiquei tão estressada que nem quis calcular o gasto. Também não repassei nenhum valor às clientes”, recorda Cristina, garantindo que o problema já foi controlado, mas que continuam a ter ações antidesperdício.  

Preservando a natureza

Enquanto alguns espaços sofreram diretamente com a seca, outros passaram praticamente ilesos. Mesmo assim, os cuidados são constantes. “Nunca houve uma preocupação tão real quanto agora”, diz a hairstylist Luciana Nilo, do Clip Salão, em Itanhandu (MG), que sempre orientou os profissionais a fecharem a torneira durante o enxágue dos cabelos. “Já a aplicação de máscaras acontece na cadeira, o que permite à cliente acompanhar o procedimento. Qualquer forma de desperdício é prejuízo para o salão e para o planeta”, considera a expert.

Pensar em tempos de estiagem durante a reforma do espaço, preferencialmente antes de abri-lo, é mais do que indicado. Com o Red Door, em São Paulo, aconteceu assim. “Quando construímos o salão, planejamos a captação de água da chuva e criamos um reservatório subterrâneo com capacidade de 15 mil litros. Mas nunca precisamos usá-lo”, comemora o hairstylist Robson Trindade, que sempre poupou o precioso líquido. “E instalamos uma válvula bloqueadora de ar, que ajuda a reduzir o consumo e os custos”, avisa ele, que informa utilizar produtos que não contaminam os mananciais.

Este, aliás, é outro problema relacionado à água, além da preservação da mata que cerca as nascentes dos rios. “Se nada mudar e o crescimento da população continuar como está, podemos prever um grande caos mundial”, avalia o técnico agropecuário Edison Urbano, à frente do site Sempre Sustentável, que tem difundido a ideia de construção de cisternas para captação da chuva.  “As indústrias deveriam trabalhar com substâncias mais naturais e que usam menos água, tanto na fabricação quanto no uso”, diz o farmacêutico e especialista em cosmetologia Lucas Portilho, que sugere investir nos xampus em pó. Edison Urbano faz outra recomendação: “Profissionais e empresários deveriam montar ecossalões, que ofereçam tratamentos de menor impacto ambiental. “Quanto mais química usar, mais se vai gastar – e mais vai contaminar!”, considera ele.

Garimpando ideias
Algumas dicas para colocar em prática, já!

* “Molhe o cabelo da cliente com movimentos rápidos e precisos, praticamente sem tirar a ducha do lugar. Depois, aplique o xampu na raiz e deslize por todo o escalpo. Quando a cabeça estiver limpa, higienize os fios, sempre em movimentos de ‘pentear’. Enxágue da mesma maneira que molhou”, ensina Robson Trindade.
* Não use produto desnecessário para não ter de usar muita água na sua retirada. Também faça uso consciente das toalhas.
* Coloque adesivos incentivando o uso racional na copa, no banheiro e no lavatório.  
* Conscientize a equipe de que a economia é benéfica para todos. “A partir de abril de 2015, existe um sério risco de desabastecimento. Temos de aprender desde já!”, informa Marcos Furquim.
* Invista em plantas que precisam de menos água. 
* Crie uma rotina para verificação de possíveis vazamentos.  
* “Procure um técnico para avaliar se existe a possibilidade de captar chuva e criar um sistema de reuso. E, se possível, adote energia solar nos lavatórios, chuveiros e banheira para reduzir o consumo de energia elétrica, gerada por hidroelétrica”, recomenda o sócio do Bardot.

Para ir além

– Leia O Uso Racional da Água no Comércio, resultado da parceria entre a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Para baixar a cartilha em PDF, clique aqui. 
– Assista ao vídeo de Edison Urbano ensinando a fazer uma cisterna para captação da água da chuva. Clique aqui. 

Os bons poupadores – Veja opções de produtos que ajudam a economizar água: