a
Compartilhar

A verdade sobre a acidificação capilar: ciência, pH e os mitos que cercam o protocolo

Entenda por que equilibrar o pH dos fios é a base inegociável de qualquer tratamento profundo — e como a água do seu lavatório influencia diretamente nesse resultado.

Poucos assuntos ganharam tanto destaque nas bancadas dos salões e nas rotinas de cuidados quanto a acidificação capilar. No entanto, junto com a popularização da técnica, surgiram dúvidas, mitos e interpretações equivocadas sobre o verdadeiro papel do equilíbrio do pH na saúde da fibra.

Para esclarecer o tema sob a ótica da ciência, convidamos a engenheira química da KPro, Camila Cerdeira, para analisar o processo e desmistificar o que realmente acontece no fio durante e após os procedimentos do salão.

1. Tratamento de verdade exige equilíbrio de pH

Diferente do que muitos imaginam, a acidificação não é um procedimento “extra” ou opcional: ela é a base de qualquer tratamento capilar efetivo.

Segundo Camila Cerdeira, é impossível falar em restauração real dos fios sem associar o reequilíbrio do pH à reposição de nutrientes essenciais.

“Acidificar os fios é um processo essencial. Não podemos falar em tratar realmente os cabelos sem falar em acidificar (equilibrar o pH) somado à reposição de proteínas, lipídios e ativos hidratantes. Se fosse apenas pelo valor do pH, o vinagre bastaria. O grande diferencial está em buscar fórmulas profissionais que acidifiquem e, ao mesmo tempo, entreguem ativos como queratina, aminoácidos e hidratantes.”

— Camila Cerdeira.

A especialista lembra ainda um gargalo da indústria: embora o pH seja determinante para o resultado técnico, muitas marcas ainda formulam produtos focado apenas na reposição de ativos, sem equilibrar a fórmula e sem citar o pH do produto nos rótulos, o que exige do profissional um olhar cada vez mais crítico na escolha do seu lavatório.

2. O fator invisível: a água do seu chuveiro e lavatório

Você sabia que a própria água utilizada para lavar os cabelos desequilibra o pH da fibra? Este é um dos pontos mais reveladores trazidos pela química.

Em grandes metrópoles como São Paulo, a água potável que chega às redes de abastecimento pode variar entre pH 6,5 e 9,5 dentro dos padrões sanitários permitidos. Como o pH natural do cabelo é levemente ácido (entre 4,5 e 5,5), o simples ato de lavar os fios com uma água alcalina já eleva o pH da fibra diariamente.

“Quando lavamos os cabelos diariamente com a água do chuveiro ou do lavatório, ela vem com o pH levemente alcalino. Portanto, mesmo utilizando produtos ácidos, é um desafio constante manter o pH dos cabelos onde gostaríamos. Todo cabelo precisa de acidificante, pois todo cabelo é lavado com essa água.”

— Camila Cerdeira

3. O mito da rigidez por “excesso de acidificação”

Existe um mito recorrente no mercado de que o “excesso” de uso de acidificantes deixaria o cabelo rígido ou enrijecido. A engenharia química da KPro desconstrói essa tese.

Não há comprovação científica ou estudo que demonstre que a acidificação, por si só, enrijece o fio. A rigidez capilar geralmente decorre do excesso de carga proteica/reconstrutora (como queratina em excesso sem a devida lubrificação lipídica) ou do uso de produtos inadequados ao tipo de cabelo, e não do reequilíbrio do pH promovido por um bom acidificante.

4. Quando o uso do acidificante é inegociável no salão?

Embora o uso do acidificante seja um aliado contínuo para neutralizar os agressores diários, existem momentos em que ele é absolutamente indispensável no salão:

  • Logo após a Coloração: Toda coloração necessita de um meio alcalino para dilatar as cutículas e permitir a entrada dos pigmentos. Se o pH não for rebaixado imediatamente após o enxágue, a cutícula permanece aberta, o cabelo perde o brilho e a cor recém-depositada desbota com rapidez.

  • No dia da Descoloração: As descolorações elevam o pH da fibra a níveis altíssimos de alcalinidade. O acidificante entra como socorro imediato para devolver o pH natural, fechar as cutículas e preparar o fio para receber a reconstrução de proteínas e lipídios.

O checklist do acidificante ideal

Na hora de escolher o acidificante para o seu salão ou indicar para a cliente no home care, busque fórmulas completas que entreguem múltiplos benefícios:

  1. Equilíbrio de pH de precisão: Capacidade de selar cutículas e preservar a camada ácida natural do fio.

  2. Ação antifrizz e doador de brilho: Alinhamento de cutículas para refletir a luz natural.

  3. Carga de Ativos Nobres: Fórmulas ricas em aminoácidos, queratina e agentes hidratantes que tratam enquanto acidificam.

Fotos: Shutterstock

Deixe seu comentário